Ponto de Encontro de Leitores, Escritores e Poetas.

Publicado por: Álvaro Pinto a 24 Junho 2008 ás 12:37 pm

O oiro do dia
Na haste mais alta
Brota a Flor

folhas amarelas

Publicado por: Miguel Marques da Silva a 24 Maio 2007 ás 12:46 pm

folhas amarelas
descendo para o rio
o Jardim das Virtudes

trânsito intenso
a agitação é grande
nos ramos da magnólia

semáforo vermelho
agarradas ao muro de cimento
folhas vermelhas

estrela vespertina
num céu sem estrelas
um avião passa

Por entre os montes e vales que apartaram

Publicado por: Álvaro Pinto a 2 Maio 2007 ás 10:50 pm

Por entre os montes e vales que apartaram
O teu corpo do toque dos meus dedos
Troam os lamentos, ecoam os segredos
Da pena com que minha alma castigaram

As palavras que tantas vezes conquistaram
A cada metro a distância de outros degredos
Sucumbem nesta hora a quantos medos
Os Deuses no meu caminho despertaram

Nem as estrelas que nos unem à janela
E no céu desenham o mapa dos romeiros
Serenam os meus olhos forasteiros

Até o luar cujos abraços sorrateiros
Embalam os amores aventureiros
O teu rosto encobre por cautela

um cheiro familiar

Publicado por: Miguel Marques da Silva a 1 Maio 2007 ás 05:43 pm

um cheiro familiar
ao descer para comer
o dia do cão

pessoas matutinas
a caminho do trabalho
sobre folhas caídas

árvores multicolores
atrás dum muro cinzento
um jardim escondido

manhã nebulosa
autocarros vazios seguem
por ruas vazias

folhas vermelhas
bagas escondidas e um melro
à procura de bagas

muro de vermelho
o melro voou para longe
e não há mais bagas

depois da tempestade
tantas folhas diferentes
pelo chão

iluminação nocturna
caindo das árvores
uma chuva de folhas

sol de outubro

Publicado por: Miguel Marques da Silva a 23 Abril 2007 ás 12:51 pm

sol de outubro
no chão de tijoleira
um gato preto

tecto partido
para lá duma janela sem vidros
o autocarro avança

miúdas d’auscultadores
e um dedo batendo a batida
sorriso escondido

marcha de violinos
o cheiro de pétalas no ar
e da primeira chuva

dia de escola
decorada com orvalho
uma folha seca

orvalhada
uma gaivota deixa pegadas
num tejadilho

linho branco
uma aranha tenta em vão
trepar o vidro liso

marcha solitária
por entre as folhas caídas
uma processionária

nuvens escuras
a lua e uma estrela fogem
antes da madrugada

primeira luz
uma forma escura passa
a primeira gaivota

chuva miudinha
gotas brilham nos beirais
e no meu casaco

lua de outubro
cornos virados p’ró mar
vai chover

preto sobre vermelho
as folhas molhadas aderem
ao pavimento molhado

polícias patrulham
a rua cheia de carros
som de cascos

ao luar
tudo é sombras pálidas
e sombras escuras

o dia seguinte
presas numa vela
três traças

tempo de colheita

Publicado por: Miguel Marques da Silva a 22 Abril 2007 ás 08:34 am

tempo de colheita
uma longa fila de sementes
entre as videiras

na praia arenosa
vespas zumbem a toda a volta
as meninas assobiam

baldio abandonado
o gatinho brinca sozinho
às escondidas

libélula verde
sai dum velho guarda-chuva
os miúdos gritam

música de casamento
a lua de setembro ilumina
o casal feliz

fim de verão
moscas agarram-se à pele
no fim da vida

água de limão
memórias de ser mais pequeno
e os verões maiores

passeio de cimento
à espreita entre fissuras
um dente-de-leão

via láctea
a brilhar no escuro
um cigarro

chuva de setembro
pastando na relva
um bando de pombas

vento do norte

Publicado por: Miguel Marques da Silva a 21 Abril 2007 ás 10:49 am

vento do norte
sopra ao cair da noite
abraço de amigo

o caminho longo
faz-se todo em passos curtos
de regresso a casa

Não lamentes a noite que assim parte

Publicado por: Miguel Marques da Silva a 16 Abril 2007 ás 07:41 pm

Não lamentes a noite que assim parte,
nem temas o chegar da alvorada.
A luz do novo dia vem chamar-te
para uma vida em tudo renovada.

Esquece então a noite já passada
e deixa o novo dia abraçar-te.
A nova noite está anunciada,
não chores mais a que agora parte.

Ela não será nunca esquecida
e ficará contigo para vida,
irá contigo para toda a parte.

Então não temas o nascer do dia,
celebra-o com toda a alegria
e não lamentes se a noite parte.

Arte

Publicado por: Álvaro Pinto a 16 Marco 2007 ás 12:22 am

O Grande Senhor, aquele que tudo cria
Resolveu um novo tesouro imaginar
E do carinho que só um artista sabe dar
Criou luz ainda mais pura que a do dia

De uma gota de orvalho o rosto aparecia
E depois do fogo nos lábios atear
Cativou o celeste azul num só olhar
E o brilho do sol nos cabelos reflectia

Foi tal a entrega à obra que fazia
Que criou uma mulher onde onde se apura
A beleza que no mundo então havia

Simplesmente nasceu assim a formusura
De um golpe de génio e de mestria
De sol, céu, fogo, arte e frescura

Ondas do meu mar dourado

Publicado por: Miguel Marques da Silva a 10 Marco 2007 ás 06:51 pm

Ondas do meu mar dourado,
doce leito tumular,
em ti fui-me afundar
e afogar-me de bom grado.

Era feliz naufragar,
para sempre sepultado,
mas quis Destino malvado
contra mim me resgatar.

Distante me larga o Fado
para sempre lamentar
ser tirado do teu lado.

Dou por mim a navegar
águas dum rio salgado
até ti, meu doce mar.